quarta-feira, janeiro 25, 2012

TEXTO INTEGRAL DA EMBAIXADA DO IRÃ


 Ali Akbar  Javanfekr, o Assessor de Imprensa do Presidente Mohmoud Ahmadinejad disse que o conteudo da  sua entrevista com o jornal brasileiro, Folha de São Paulo  foi 'Distorcida'

LEIA: 



Teerã, 25 de Janeiro, IRNA - o Assessor de imprensa do Presidente Mahmud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr desmentiu o conteúdo da  sua recente entrevista publicado no jornal brasileiro Folha de São Paulo , apontando que suas declarações foram “Distorcidas”.

Agência de notícias iraniana  citou que Javanfekr tinha  queixado das as relações entre os dois paises na presidência da Dilmão Russeff que são inferiores a ' anos de boas relações "de Brasilia  com com Teerã.
Javanfekr salientou, no entanto, que a entrevista dele havia  sido  distorcida e por meio desta comunicação, enfatizou  nas palavras ditas ao jornal Folha de São Paulo que “Presidenta Dilma precisava do tempo para consolidar as relações entre Teerã e Brasília”.
Javanfekr notou ainda, que tinha elogiado o governo do Brasil e o seu povo pelo  seus apoios à República Islâmica do Irã. Brasília insistiu no passado em manter um diálogo diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, uma política que havia começado com o antigo Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva em que  rejeitava  qualquer uso da força fora do âmbito das Nações Unidas.

Nos EUA, o jornal New York Times, citou  na terça-feira que Javanfekr, tem afirmado na  sua entrevista com o jornal brasileiro Folha de São Paulo que a Presidente Russeff Dilma tinha destruído anos de boas relações entre as duas nações.
Lula da Silva, que deixou seu cargo, visitou Teerã em 2010 e intruduziou no Médio Oriente a diplomacia brasileira atraves de uma tentativa de amenizar a crise sobre o programa nuclear do Irã. E junto com o Governo da Turquia, ele forjou um acordo de troca de urânio enriquecido  com combustível nucleares  com o Irã.

Este acordo falhou após a rejeição da administração da Obama e Irã afirmou que iria continuar com o enriquecimento de urânio.
Mesmo assim, as exportações do Brasil para o Irã aumentada durante os meses seguintes. E o Irã superou  a Rússia em 2011, como o maior mercado de exportação de carne brasileira.

A Agência de Notícias da República Islâmica/IRNA New

Rússia libera o visto para a Copa de 2018

VAMOS À RUSSIA, SEM VISTO?

O Primeiro-ministro russo Vladimir Putin, como parte de uma noite de gala realizada em São Petersburgo dedicada aos 100 anos da Federação Russa de Futebol, realizou várias reuniões e fez algumas declarações interessantes. Seu tema principal foi a próxima Copa do Mundo a ser realizada em 2018 na Rússia.


Estádio Luzhnik, em Moscow

Em comemoração ao centenário da Federação Russa de Futebol, Putin disse que a escolha da Rússia para sediar a Copa do Mundo em 2018 é um crédito ao país no desenvolvimento do futebol:

"Estamos gratos à FIFA e a todos os representantes do futebol internacional.  Tenho feito tudo para a Copa ser disputada na Rússia. Estamos agora desenvolvendo um trabalho ativo e muito difícil de preparação. Este ambicioso projeto une esforços do governo, várias organizações do setor privado, o povo e os fãs do futebol. Eu não tenho nenhuma dúvida de que conseguiremos alcançar nosso objetivo com dignidade. Iremos realizar uma Copa das mais brilhantes na história do futebol ", disse Putin.

Na reunião com os membros de vários times, Putin disse que a Rússia tem uma tradição de futebol forte:  "Temos o ouro dos Jogos Olímpicos e tivemos excelente participação no Campeonato Europeu. Estamos orgulhosos dos nossos clubes, dos jogadores mais destacados e dos técnicos.

Precisamos de uma equipe nacional forte, capaz de vencer em qualquer nível,  em qualquer competição e dignamente representar-nos na Copa do Mundo em 2018. Tenho certeza que nossos jogadores vão ser destaque. Que venha o Brasil, Argentina, Espanha, França, EUA, Inglaterra e todos os outros competidores. Estaremos prontos. "

Além de tudo isso, Putin promete liberar o visto para o público que estará visitando o país em 2018.

Para conhecer os estádios onde aconterão os jogos da Copa na Rússia, acesse:

http://www.putsgrilo.com/esporte/copa-do-mundo-2018-conheca-os-estadios-da-russia/




quinta-feira, janeiro 19, 2012

BBB12 OU... A TREPADA NO INTERVALO DO PLIM PLIM


E se tivesse acontecido na TV Brasil e se Pedro Bial 
ou os Marinho fossem ministros da Dilma?


Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Vamos sonhar um pesadelo irreal e imaginar que o programa Big Brother passasse na TV Brasil www.tvbrasil.org.br.... e que os irmãos Roberto Marinho, em vez de donos da Globo, fossem Ministros da Dilma. Imaginando aí, galera?  Então....

Como estaria sendo a cobertura da Rede Globo no episódio da investigação de
estupro de vulnerável?
O "ministro Roberto Marinho" estaria sendo implacavelmente cobrado pelo "malfeito" à moça, diariamente no Jornal Nacional, e nos outros telejornais. Willian Bonner levaria ao ar reportagens de 10 minutos ou mais, com:
- reconstituição da cena e simulação em 3D;
 - com o delegado falando tudo o que foi cortado na entrevista coletiva;
- com entrevista dos inspetores e peritos que fizeram diligências nos estúdios;
- as entrevistas seriam na porta da emissora, com a logomarca compondo o cenário;
- cenas da polícia entrando e saindo da emissora seriam exibidas com destaque;
- cenas da apreensão da cueca, calcinha, edredom e roupa de cama para perícia também seriam destaque;
- um laudo do perito Molina seria encomendado para atestar o sono profundo da suposta vítima;
- a opinião "em tese" do Dr. Gurgel, do Dr. Peluso ou de Gilmar Mendes seria colhida;
- a opinião do bispo dom Luiz Gonzaga Bergonzini, do pastor Silas Malafaia, e do rabino Henry Sobel iriam ao ar;
- a opinião de médicos sobre o grau de intoxicação alcoólica da moça, com direito a infográfico;
- e, claro, a opinião dos senadores e deputados demos-tucano Álvaro Dias (PSDB/SP), Duarte Nogueira (PSDB/SP) e ACM Neto (DEM/BA).

Na Globonews, mesas-redondas:
- com advogados criminalistas e civis fazendo testes de hipóteses sobre penas, tentativa de obstrução da justiça e ocultação de provas, manter testemunhas e suposta vítima em situação de confinamento controlado por advogados da emissora (haveria quem insinuasse cárcere privado), omissão de socorro, apologia do abuso de álcool, indução a comportamentos sexuais agressivos, indenizações milionárias, ações penais e ações civis cabíveis, danos individuais e danos coletivos, responsabilidade da emissora, do diretor, da produção.
- com especialistas em comunicação, filosofia e ética para atestar violação dos termos da concessão da TV;
- com lideranças e ativistas de movimentos sociais pelos direitos da mulheres;
- com psicólogos e médicos forenses;
- com deputados da oposição;
- com jornalistas da casa para discutir a cobertura pela emissora, ocultando os fatos do telespectador no domingo e no telejornalismo da segunda-feira.

Jô Soares reativaria um "meninas do Jô" especial
Lúcia Hippolito atestaria que a moça estaria tão vulnerável quanto ela quando viu
o microfone de um tal de Lolito piscando.
Arnaldo Jabor diria que a emissora expulsou o "brother" por "mau comportamento
na suruba"; Ali Kamel contestaria Boninho e diria que não somos racistas.

"Bill" Waack diria que até a imprensa internacional ficou indignada
Todos exigiriam a retirada do programa do ar, punição máxima à emissora, demissão do "ministro Roberto Marinho" e do diretor do programa, etc, etc, etc. Pois se o que se passou no BBB acontecesse na TV Brasil, a TV Globo estaria certa em fazer quase tudo isso aí cima.


Mas aconteceu na Globo, e não vemos nem realidade, nem show de notícias, para uma emissora que tem a exclusividade sobre diligências policiais ocorridas dentro
de seu próprio estúdio.

O noticiário sobre o fato na Globo é o mínimo necessário para não parecer
omissão maior do que já se nota. Parece editado pelo departamento jurídico da
empresa, seguindo aquela regra de não produzir provas contra si.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/blog/helena/e-se-acontesse-na-tv-brasil

terça-feira, janeiro 17, 2012

UNESCO, Estados Unidos e Brasil lançam projeto para ensino do respeito na escola

16.01.2012 - UNESCOPRESS


O projeto “Ensinando o Respeito para Todos”, fruto de cooperação entre a UNESCO, os Estados Unidos e o Brasil, será lançado, em 18 de Janeiro, na sede da Organização em Paris (2 p.m., na Sala XI). Este é o primeiro passo de um processo com duração de três anos, cujo objetivo é desenvolver currículos que promovam o aprendizado da convivência na escola.    


Escola Liberato Valentim, Santa Catarina, já trabalha pensando no futuro
           

Coordenado pela UNESCO e financiado pelo Departamento de Estado dos EUA, o projeto reconhece o papel fundamental das escolas no combate à discriminação racial e étnica.

Participarão do lançamento a Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova, a Secretária Adjunta para Organismos Internacionais do Departamento de Estado dos EUA, Esther Brimmer, e o Secretário Executivo da Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial do Brasil, Mário Theodoro Lisbôa. O evento reunirá também representantes de governos e especialistas de diferentes partes do mundo. Estudantes da Tallwood High School, de Virginia Beach (EUA) e do Bagunçaço, centro educacional para jovens de Salvador/Bahia (Brasil), participarão por videoconferência e poderão interagir com os demais participantes.

O objetivo da primeira fase do projeto Ensinando o Respeito para Todos é rever os currículos escolares, as legislações e as políticas de educação para a tolerância a fim de identificar as melhores práticas nesta área.

Na segunda fase, o projeto irá desenvolver recursos pedagógicos e programas escolares que serão implementados inicialmente em países-piloto selecionados e depois disponibilizados a todos os demais. Também serão elaboradas ferramentas práticas sobre como integrar a luta contra a discriminação e o reforço da tolerância na educação nos livros didáticos.

Para este fim, será constituído um grupo com a participação de especialistas na luta contra o racismo, na educação em valores e direitos humanos. Além disso, duas plataformas on-line serão criadas: uma para profissionais da educação e outra aberta aos jovens, que poderão compartilhar experiências e fazer sugestões durante o processo.      
                                                 ****

Contato de Mídia: Agnès Bardon, Serviço de Imprensa da UNESCO      
+33 (1) 45 68 17 64 a.bardon@unesco.org



quinta-feira, janeiro 05, 2012

sábado, dezembro 31, 2011

Macaé, mais de 400 anos de história


Famoso escritor perde a vida em naufrágio

Hermes, o "Titanic" de Macaé


Macaé e sua administração acabam de perder uma excelente ocasião para capitalizar em cima de sua própria história. Afinal, vem aí os 200 anos da cidade em julho de 2013 e a comemoração parece ter sua produção empacada, por razões políticas ampliadas por egoísmo de uma meia dúzia de cidadãos empavonados em seus cargos administrativos e burocráticos. 

Em 1861, mais precisamente no dia 28 de novembro, um navio pertencente à frota da companhia de navegação União Campista e Fidelista afundou por erro humano aqui mesmo no mar de Macaé.   

O autor de Memórias de um Sargento de Milícias


Há pouco mais de 5 semanas atrás, poderia ter sido relembrado no município os 150 anos do naufrágio do Vapor Hermes. Um evento que já puxasse o cordão de comemorações que, como sugerimos acima, deverá ser um pegapracapá entre uma administração que sai e outra que entra, se é que entendem o que quero dizer.

Na ocasião do desastre do vapor Hermes naquela fatídica madrugada, o jornal Correio da Tarde, do Rio de Janeiro, fez o seguinte necrológico:
"Dentre as vítimas, que veio lançar o luto no seio de muitas famílias, não podemos deixar de mencionar especialmente o Sr. Dr. Manoel Antônio de Almeida, cuja morte prematura roubou à imprensa fluminense e às letras pátrias um dos seus representantes, que mais honra lhes dava".  Sobre a morte do autor de "Memórias de um Sargento de Milícias", o renomado escritor José Veríssimo escreveu: "Com ele, pode dizer-se, naufragou a talvez promissora esperança do romance brasileiro". 

(Não teria sido legal, gente, se nossa prefeitura estivesse de olhos abertos e celebrasse a memória desse consagrado autor? )

Canal e fartura
Ao norte da província do Rio de Janeiro, o governo estava para inaugurar o mais longo canal do Império. A escoação da produção agrícola campista esteve sempre atravancada pela foz estrangulada do rio Paraíba. Havia necessidade de grandes navios para embarcar a abundante produção agrícola. Mas estes só poderiam ancorar com segurança, bem mais ao sul (depois do Cabo de São Tomé), isto é, no porto de Imbetiba, em Macaé. E assim o longo canal Campos-Macaé, foi aberto a braço escravo, para escoar a riqueza campista. Seria uma semana festiva, pois junto com a comemoração de abrir-se uma via de comunicação com o município de Campos, seria o aniversário de Dom Pedro II cinco dias depois do acidente.

O município vivia bons momentos. A produção de açúcar no ano de 1861 excedeu as esperanças, e muitos fazendeiros de Campos dos Goytacazes chegaram a perder muita cana, não por causa da seca, mas por faltar-lhe materialmente o tempo para moê-la. A safra de legumes também foi abundante.

A última viagem do vapor Hermes
Muitos dos alegres hóspedes do pequeno vapor Hermes, certamente debruçados na amurada, apreciavam a magnífica baía de Guanabara. Naquele tempo, a paisagem não seria mais encantadora. Na medida que o casco rompia a superfície límpida e prateada das águas da baía, mais se extasiavam com o cenário imponente das montanhas cariocas cobertas por uma vegetação de um verde refrescante. E pouco a pouco, à distancia, se avistavam encimando os morros e em meio ao casario de telhado vermelho, as torres e pináculos, os campanários, as cúpulas das igrejas seicentistas e setecentistas de um Rio oitocentista. As imagens tão íntimas das moradias e dos templos do anedótico e folclórico mundo carioca, abraçado por uma natureza exuberante, Manuel de Almeida as viu pela última vez, quando o vapor começou a procurar o rumo norte do mar da Província. O benquisto Maneco que havia no mês de outubro último, completado 30 anos, olhou para sua cidade e deu o seu último adeus.

Vidas enlutadas e Jean de Léry 300 anos antes
Depois de uma viagem na qual encontrara ventos e correntes contrários, o Hermes chegou à enseada de Macaé por volta das 3 horas da madrugada do dia 28 de novembro de 1861, para desembarcar três passageiros e após uma curta demora, zarpou, para em seguida naufragar, logo após bater na Tábua

A Laje do Hermes encontra-se a NW da Ilha de Sant´Anna


A costa macaense sempre foi assinalada pelos maiores perigos, por isso só deve ser explorada por marinheiros experimentados, conhecedores profundos dos seus segredos e de suas armadilhas.  Extremamente baixa e arenosa em alguns pontos, já em 1556 o navegador francês Jean de Léry, que veio ao Brasil embalado pela aventura sensacional que seria aquela França Antártida, de Nicolás Durand de Villegaignon, assinalava em suas notas de viagem, reproduzidas no seu emblemático livro Istória de uma viagem feita á terra do Brazil: " aqui no mar próximo à foz do rio Mikié, notamos a NW de um arquipélago paradisíaco dezenas de lajes mergulhadas pouco notadas e somente as vemos a curta distância". 

E esse local foi a passagem do Hermes - 300 anos depois de Jean de Léry - quando zarpou do porto de Macaé em direção a Campos. Pressupõe-se que o comandante M. Ornelas pouco ou nenhum conhecimento tinha do porto, tanto assim que, logo ao destracar rumo ao Norte, colidiu violentamente com as pedras. Supondo tratar-se de areia, afastou-se ainda mais da costa com o intuito de prosseguir viagem, quando é certo que a avaria era de tal ordem que o navio soçobrou próximo à ilha de Santana, enquanto à bordo palpitavam 96 vidas, entre passageiros, tripulantes e escravos, salvando-se pouco mais da metade.
O que fica um pouco fora da órbita aqui deste pesquisador curioso é que esse perigo situado próximo da praia macaense, na época ainda não estava cartografado pela Marinha de Dom Pedro II, embora apareça no mapa de Léry de 1556. Alguém dormiu no ponto.
A Tábua foi batizada “Pedra do Hermes" - hoje, o perigoso local encontra-se sinalizado, principalmente por causa do grande fluxo de embarcações em torno do porto de Imbetiba, por conta das atividades da Petrobras.

O "jabá" do capitão
Uma gorda gorjeta fez o comandante desviar seu curso, cuja viagem teria que ser "direta a Campos". Ele teria recebido grande soma em dinheiro de três quissamaenses para fazer a parada não planejada.
As cartas dos moradores da cidade de Campos, que chegaram as redações dos jornais da Corte do Rio de Janeiro, após o sinistro, como as próprias notas da imprensa, desabaram-se em denúncias e acusações contra a gerência da companhia e contra o capitão do Hermes. Eis algumas delas:
"Devendo no dia 30 partir da corte o vapor Ceres para Cabo Frio e Macaé, por que razão o Hermes desviou-se de sua rota contra o anúncio dados aos passageiros. Mas o que é verdade é que este capricho da gerência em favor dos três passageiros para Macaé..." (Correio Mercantil).

"Uma triste realidade veio ontem enlutar a muitas famílias e provar mais uma vez o desleixo e imprevidência com que se fazem geralmente entre nós, os serviços públicos". (Diário do Rio de Janeiro).

"Esta catástrofe foi toda devida à imprudência do comandante. O Hermes nessa viagem não tinha que fazer escala em Macaé. Entrou nesse porto por interesse de alguns passageiros a que o comandante quis servir. Como, porém, o desvio da rota marcada retardava a viagem e o vapor não poderia chegar à barra de Campos com maré que desse entrada, o comandante assentou de seguir em rumo direito, deixando de fazer a volta de costume, e deu com o vapor sobre as pedras. Ficará impune o homem que enlutou tantas vidas?" (A Atualidade).

Quem eram os 3 misteriosos passageiros e seus escravos de Quissamã, que foram desembarcados no porto de Macaé em 1861?

Acompanhe o blog:
Macaé, mais de 400 anos de História

Fontes: Godofredo Tinoco, Luis Lamego e Elísio Gomes Filho


sexta-feira, dezembro 23, 2011

Sublimação social e educação

Jorge Portugal  
De Salvador (BA)

Sublimação é um velho conceito da Química que descreve a passagem de um elemento do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo líquido. 

Pois me ocorre agora que, no Brasil, está-se dando um processo de sublimação na esfera social. Seguinte: com o governo Lula, cerca de 30 milhões de brasileiros foram incorporados ao mercado de consumo, por terem conquistado maior poder aquisitivo sem que isso tivesse sido acompanhado por mais educação em suas vidas. Quer dizer: aumentaram a renda sem, necessariamente, aumentar o repertório cultural.

Com mais dinheiro no bolso, essa imensa galera vai às compras em ritmo frenético: automóveis em sessenta prestações, todos os itens da linha branca, casa própria, viagens de lazer e tudo aquilo que a TV sugere. A TV. Esse é o ponto.




Com dois ou três aparelhos em casa, a família recém entrada na classe média é literalmente domesticada por essa máquina eletrônica. Hebes e Faustões, Hucks e Gugus, CQCs e BBBs alimentam permanentemente a "cultura das celebridades" e o seu contrapeso, a música sertaneja, o pagode romântico e o axé da Bahia.

Dessa teia, não tem quem se livre! A escola, que não ocupa tanto espaço na preocupação dessa turma, é a pública, com todas as deficiências, ou a particular de terceira categoria, para que a mensalidade caiba no orçamento. Se passam em vestibular, a maioria vai para as faculdades privadas que, na maior parte, tomam o estudante por freguês. Brigar por melhores condições de ensino é papo pra marciano; essa turma briga mesmo é se o time do coração cair para a "segundona". 

A situação é deplorável, mas, também, um belo desafio. Não me canso de dizer que a palavra de ordem é qualidade: na educação, na relação com o meio ambiente, nas relações sociais. Estamos vencendo a fome e a pobreza material, mas ainda temos um belo e gigantesco trabalho de construção humana a ser iniciado.

Vale tudo para ir às compras!


E precisamos de um, dois, cinco, dez mil "vietnãs educacionais" em cada ponto do país detonando a maré de mediocridade que hoje é uma onda, mas amanhã pode virar cultura. Com todos esses propalados avanços na esfera socioeconômica, não nos custa lembrar que, da meta fixada, há dez anos, de colocarmos 30% dos nossos jovens entre 18 e 24 anos no nível superior de ensino, até 2010, só conseguimos incluir 16% e, ainda assim, 75% desse porcentual em faculdade privadas que oferecem formação duvidosa.

Se não lograrmos aproximar nível material de nível de conhecimento e cidadania, estamos apenas fornecendo cimento e tijolo para a construção de uma grande república de boçais.

Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa "Tô Sabendo", da TV Brasil.

Jorge Portugal


Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5530390-EI17956,00.html

  O Espelho e o Vento A luz do entardecer entrava pela varanda, mas Raul preferia a luz fria do banheiro. Ali, diante do espelho, ele ensaia...