quinta-feira, junho 27, 2019

A Saga da "Menina Feita de Espinhos"


A Saga do filme “A Menina Feita de Espinhos”



Aos amigos, técnicos, atores, atrizes, participantes e apoiadores do filme. Este depoimento está publicado somente para as pessoas aqui marcadas.

Há exatamente 11 anos conheci Fabiane Ribeiro, então uma estudante de veterinária que me achou na Internet e escreveu esta linda mensagem por e-mail:

Fabiane Ribeiro
To: phydiasb@yahoo.com
Jun 27, 2009 at 11:33 PM

Olá,
Acredito que tudo o que acontece nas nossas vidas é porque sonhamos e corremos atrás...Vale a pena tentar...por isso lhe escrevo. Sou Fabiane, de Mogi Mirim/SP, estudante de Medicina Veterinária em uma Universidade Federal no estado de Minas Gerais, já no fim do curso.
Eu amo a carreira que escolhi, porém não me sinto completa...

Por ser de família humilde a vida é muito difícil...eu tive que continuar os estudos, não pude ir atrás de uma carreira artística, que sempre foi meu sonho... Eu até já fiz teatro quando criança, tentei continuar, mas as portas que se abriram foram as da Universidade...não que eu esteja infeliz...como disse anteriormente, eu amo o curso que faço, porém o sonho frustrado, cada vez mais distante de ser atriz está presente em mim. Por isso faço uma última tentativa...

Escrevo porque sou uma apaixonada incondicional de literatura brasileira e sempre que leio um livro, o imagino adaptado às telas de cinema (sendo, portanto, um incentivo à leitura e ao cinema) e sempre sonho interpretar minhas personagens preferidas...
Tenho muitas ideias e gostaria de apresentá-las a você, se tudo isso o que eu digo for válido...Se você quiser enviarei fotos minhas.
Comigo, guardo a esperança da resposta e uma possível oportunidade...um abrir de portas que pode mudar meu destino...Afinal de contas, nascemos com muitos dons...
Muito obrigada,
Atenciosamente,

Fabiane Ribeiro Costa Silva


Pensei: Essa menina tem coragem! E foi assim mesmo e nessa época que começamos a firmar uma amizade que durou até Agosto de 2018 e vou explicar porque até 2018 nos parágrafos seguintes. Vocês sabem que finalmente rodamos o longa metragem A Menina Feita de Espinhos com roteiro dela, em Julho de 2018.  

A partir daquele email, começamos a nos corresponder e ela um dia me enviou seu livro “Jogando Xadrez com os Anjos”, antes da publicação, para que eu pudesse ajudá-la a editar um vídeo-book para acompanhar o lançamento. E fiz (até errei na grafia de Trailler, deveria ter sido trailer, mas assistam mesmo assim):


Finalizava assim seus e-mails para mim: “Aguardo contato. E devo notificar que lhe escrever me faz muito bem, e termino sempre muito “leve” e feliz! Abraços, até a próxima! Fabiane”.

Bem, os anos se passaram, o livro Xadrez vendeu super-bem, eu tive o prazer de conhecer sua família durante a formatura como Veterinária em Lavras e a vida seguiu. Depois de Xadrez, lançou diversos outros livros e daí já sendo distribuída pela Universo dos Livros e com vários títulos sendo vendidos pelo catálogo da Avon com participações nas bienais de São Paulo. Soube de seu sucesso e de suas viagens para Nova York, Europa e China, aprimorando seus conhecimentos cinematográficos e de literatura, (sempre através do Facebook e mais recentemente, Instagram).


Eu ficava feliz em ver sua ascensão e bastante orgulhoso de ter participado do empurrãozinho inicial na sua carreira. E aí, um dia chega esse email:
Fabiane Ribeiro 
Mon 11/30/2015 4:01 PM

Olá, meu amigo, tudo bem? Quanto tempo! Esta deve ser a primeira frase, pois ela simboliza muitas coisas diferentes em nosso caso. Há quanto tempo não nos vemos, não nos falamos, e, principalmente, quanto tempo faz que não trocamos nossos “Destinos”. É bastante sentimental pensar em como tudo começou. Foi quando eu sentia que, mesmo amando a veterinária, o caminho das artes me chamava. Então, eu lhe escrevi, sem esperar uma resposta. Nunca imaginei que anos depois ainda estaríamos nos falando, e que os rumos da minha vida teriam mudado tanto.

Lembro também que logo depois que lhe escrevi, fiquei muito doente. Acredito que você se lembre bem dessa fase.

Porém, apesar de todo o sufoco daquela época, eu jamais reclamo dela. Pelo contrário, lembro com carinho, pois foram aquelas dificuldades que me levaram a escrever. E, hoje, escrever é a minha vida. Eu recebo mensagens diárias de leitores que dizem que meus livros os ajudam de alguma forma, e isso me faz querer escrever cada vez mais, pois além de uma profissão, é sobretudo uma paixão e uma missão que tenho. Fico feliz que você tenha acompanhado esse processo e que ainda faça parte da minha vida, mesmo à distância. A doença que tive naquela época mudou não apenas minha profissão e os rumos da minha vida, mas também minha saúde, meu corpo, minha forma de ver a vida e meus sonhos. No ano passado, já bem melhor (embora ainda sofresse alguns efeitos), resolvi sair do Brasil.
Fui muito feliz nos 5 anos em que estive na veterinária. Jamais me arrependo de qualquer decisão com relação a isso, pois vivi com intensidade aquele tempo, e é isso que importa. Porém, após me formar e cuidar da minha saúde, achei que era hora de voltar a estudar. Então, consegui com esforço ir para os EUA, em 2014, como vc sabe. Lá, fiz um curso na minha área, a da escrita, já que os rumos haviam definitivamente mudado para essa direção. Eu tinha uma matéria especial, que era a escrita de roteiros para filme e tv.
Não sei se já conversamos sobre isso, mas eu tenho que lhe dizer, meu amigo, que me apaixonei completamente por essa área. Você não imagina o quanto.
Tanto é que hoje tenho três roteiros escritos e tantos outros esboçados/rascunhados.
E é sobre isso que eu queria falar com você. Antes, quis escrever tudo isso para lhe atualizar de tudo e também para dividir um pouco de minha trajetória, como fazíamos nos “Destinos”.

Um belo dia, recebi o roteiro:

Fabiane Ribeiro
Thu 11/2/2017 11:57 PM

A Menina Feita de Espinhos - Roteiro.docx
51 KB
A menina feita de espinhos - livro.pdf
2 MB
Bom dia meu amigo, segue a primeira parte do roteiro e o livro digitalizado. Um abraço! Fabiane Ribeiro
Escritora - www.fabianeribeiro.com.br

Phydias Barbosa
Mon 11/6/2017 7:13 AM
Olá Fabiane. Li tudo. Incrível este seu romance.

Aguardo contato com o produtor.

E a partir desse dia começou a saga do filme “A Menina feita de Espinhos”, no qual eu iria participar como diretor convidado por Fabiane, a autora do livro, autora do roteiro, minha amiga, com uma produção mais caseira impossível. Tudo ideia e produção daquela menina que tinha me contatado em 2009. Um orçamento de 15 mil reais, onde eu receberia R$1.500 de ajuda de custo para chegar e sair de Mogi Mirim e 10% da renda, quando fosse vendido, primeiramente para o canal Netflix, que era o contato principal que ela dizia ter.  Embarquei no projeto, pois as datas das filmagens coincidiram com uma estada minha no Brasil.

Com a preparação de atores em São Paulo, pela IDDHI Produções do Irajá Lima, co-produtor, foram para Mogi os atores e atrizes: Renato Basilla, Steffany Vaz, Brenda Santiago, Zabeta Macarini  e Ignez Polidoro. Na cidade foram recrutados Thiago Macedo e Solange Galiano para compor o elenco, além do menino Gabriel Ribeiro, sobrinho de Fabiane. A equipe técnica de captação de imagem ficou com os fotógrafos e câmeras Johnny Nastri de São Paulo e Marcelo Perri, da Paco Huberts Produções, de Mogi, com a Maristela e Giulia na equipe. O Guga veio de Campinas para a captação do som e o Talles Rodrigues foi o dublê de maquinista e pau pra toda obra. Os maquiadores Lua Tiomi e Marco Leta e os assistentes de direção Sergio Spina e Rodolfo Paganelli completaram a equipe, com excelentes resultados.   


Guga e Maristela (dupla da captação de som)

Fabiane e seu avô Jair descolaram excelentes locações em Mogi Mirim e proximidades, com sua mãe Viviane no apoio de “set”. A madrinha dela nos forneceu as marmitas para almoço e lanches, a equipe e elenco ficaram bem acomodados em hotéis, eu fiquei hospedado na casa de seus avós e tudo correu bem, guardadas as devidas proporções de uma produção dessa natureza, feita em casa e com um pouquinho de grana da Universo dos Livros. Custo da produção: R$15.000 (Quinze mil reais) SIC.  

Tudo ia bem até que num determinado momento das filmagens, em reunião artística e técnica com o diretor de fotografia, o cameraman, elenco e ela mesma, Fabiane, na locação, sugerimos (eu e o Marcelo Perri) que duas sequências no chalé, quando “Gregg” se apresenta a “Rubens”, pai de “Kat”, fossem desmembradas numa só, não somente para ganharmos tempo na linguagem, como também funcionaria muito bem como elemento de ligação para os “twists” que viriam a acontecer a partir daí, de acordo com o roteiro e sem mexer em nada orgânico da história e nem pretendíamos mudar o roteiro. Enfim, Fabiane se sentiu extremamente desrespeitada por mim e pela equipe, retirou-se da locação muito chateada e nervosa, achando que estávamos mutilando seu trabalho. Um estresse, notado por todos. Um pití desnecessário. A junção das sequencias ajudou muito, sem mudar nada na linguagem. E ficou muito bonita, por sinal. Quem tiver a oportunidade de assistir, verá que a cena se encerra muito bem e fecha para a próxima passagem de tempo. Quando cheguei em sua casa a noite e conversamos, com ela mais calma, mas ainda se sentindo traída, disse-lhe que poderia deixar a direção do filme, já que ela, como produtora, ficou chocada com minha posição, que encaixava com a da maioria da equipe. Na manhã seguinte, ela disse que precisava muito que eu terminasse a produção e que tentaria ser mais amena com seu nervosismo. Eu me dei a oportunidade de continuar na produção.

Solange Galiano, atriz de Mogi com o diretor





Giulia (Continuidade)

Enfim, durante 12 dias de filmagem, sendo que tivemos que rodar algumas cenas nas quais o roteiro determinava ‘DIA’ a Noite, pois o cronograma era muito apertado e a maquiagem das garotas, tanto da Brenda Santiago (Kat menina) e de Stefanny Vaz (Kat jovem e adulta) demorava horas, pela colocação dos espinhos e pelos deslocamentos para as locações. Filmamos cenas que necessitariam refletores de até 10kwa total, com luz dos automóveis dos participantes. Ainda tínhamos uma séria discrepância entre as interpretações dos atores profissionais de São Paulo, com os atores amadores de Mogi Mirim. 

Chamamos a isso de “Blend Acting”. Ficou clara a dissonância, embora todos tenham se esforçado da melhor maneira possível e como diretor, agradeço a todos os participantes pela energia e boa vontade que colocaram durante todo o tempo da filmagem. Com uma boa edição final, o filme se resolve. O Marcelo Perri, produtor local e sua produtora Paco Huberts Produções tinha uma Black Magic em boas condições e o Johnny Nastri uma Canon Mark 5 e diversas lentes. Outra Canon fez o Making Of em vídeo e fotos, com o Rodolfo Paganelli. Temos um belo acervo fotográfico, mas infelizmente nem todos os participantes tiveram acesso ao arquivo.

Terminamos o cronograma de filmagens na data prevista e no final já a própria Fabiane colaborava nos cortes e adaptações, para que pudéssemos liberar o elenco, pois muitos já tinham contrato com outras produções em São Paulo. O Johnny logo começou a edição do trailer, que ficou pronto em cima da hora para ser apresentado na Bienal do Livro de São Paulo sem que eu (o diretor do filme) pudesse vê-lo antes, pois já estava de volta na Flórida e não pude acompanhar a edição em São Paulo.

Fabiane me enviou uma cópia e eu o achei bem razoável, mas não tinha meu nome nos créditos. Reclamei com ela. E começou aí a ruptura total do nosso relacionamento de amizade, pois eu enviei um email ao produtor principal do filme (Luis, da Universo dos Livros) pedindo que suspendessem o trailer das redes sociais e o reeditassem com meu nome. Foi um tremendo erro de avaliação da minha parte, notei em nossas conversas e posterior discussão, que Fabiane Ribeiro em nenhum momento foi minha amiga, e sim mostrou-se egoísta e manipuladora, além da total falta de respeito com meu trabalho. Reclamei do “esquecimento” do meu nome no trailer e lembrei para ela que tinha um contrato assinado como diretor do filme. O que ela afirma em 12 de Agosto de 2018 e nega no dia 21, chamando-me de “desesperado”.    



Filmando com faróis dos carros, já que não tínhamos refletores suficientes. 


12 de Agosto de 2018 - Vc tem contrato comigo. Ele me deixou escolher a equipe que quisesse. Mas fique a vontade para procurar quem quiser, ele é muito gente boa.

21 de Agosto de 2018
[15:37] Fabiane Ribeiro: Seu desespero me dá nojo

[15:37) Fabiane Ribeiro: Favor passar meu telefone para seu advogado imediatamente. [15:38] Fabiane Ribeiro: Nunca assinei contrato com vc. Muito menos a editora. Muito menos sobre crédito em trailer. Peça para ele nos procurar e iremos esclarecer tudo isso. [15:38) Fabiane Ribeiro: O filme está praticamente vendido agora. Vc iria ganhar muito com isso, é uma pena estar preocupado com o trailer.

A partir daí resolvi “sair de cena” por algum tempo e até “deixei pra lá” contratar um advogado, embora a oferta do Sindicato de Técnicos de São Paulo continua válida.

Como ela mesmo tinha nos afirmado a todos, levaria o HD com as cenas do filme para Los Angeles, onde o editaria com seus amigos de Curso de Cinema. O tempo passou. Em Fevereiro de 2019, trocamos frias mensagens no WhatsApp onde ela afirmava que o filme estava muito ruim, com poucas exceções e que seus colegas do curso não tinham conseguido chegar a uma conclusão a respeito da edição final. “Vou refilmar várias cenas quando voltar ao Brasil”. E hoje, 5 de Abril de 2020, 11 anos após o seu primeiro e-mail para mim, não sei o que foi feito do filme na versão dela (com edição em LA e finalização na Escócia, segundo ela mesma) e “A Menina Feita de Espinhos”, o filme, tornou-se uma incógnita.

Por isso, peço a vocês todos que participaram desta produção sem ganhar absolutamente um centavo, que procurem saber com a produtora/autora do livro/roteirista em que pé está a finalização e se de fato irá algum dia refilmar.


Stefany Vaz, Ignez Polidoro e Zabeta Macarini
Peço desculpas a todos vocês que participaram e até hoje não tiveram notícias do lançamento – não há informações nas redes sociais do filme. O que mais lamento é a falta de compreensão da ex-amiga em relação a meus direitos profissionais, afinal eu e todos nós merecemos o respeito devido. Vocês fizeram um trabalho excepcional, agradeço por isso e estarei a disposição de vocês, caso queiram. Estive em São Paulo e por diversas vezes tentei encontrar com o Irajá Lima, para que pudéssemos esclarecer alguns pontos de vista sobre todo o acontecido. Sem sucesso. Não conseguimos ajustar as agendas. Segue o ponto de interrogação. Como está a finalização? Haverá refilmagem? Como será feita? Algum material será aproveitado, da minha direção?



Marcelo Perri, Danilo, Phydias e Fabiane Ribeiro

Marcelo Perri, de Mogi, editou um “copião”, onde notei que o material, com duas horas de duração, se reeditado para 85 minutos e mixado com correção de cores, dará um belo filme, guardadas as proporções. Poderá ser exibido em qualquer grade infanto-juvenil de TV, Canal por Assinatura ou Streaming. 

Aqui, para quem não assistiu, o link do trailer “oficial” feito pelo Johnny Nastri e que foi mostrado na Bienal em 2018:


E aqui, uma versão não autorizada que Louis Garcez editou na Flórida para mostrar a um comprador dos EUA, ainda interessado em ver o filme e eventualmente distribuí-lo em seu canal (quando estiver finalizado, por supuesto):


Uma nota: Os melhores editores para este filme não se encontram nem na Escócia e nem em Los Angeles. Estão mesmo em São Paulo, na minha opinião.  

Phydias Barbosa, Diretor
Eu, de "palhacinho" junto com a Fabiane e sua colega, na festa de formatura.

Último dia de filmagem

Toda a equipe com elenco no almoço sensacional do Macaúbas Eco-Restaurante , Mogi Mirim




FIM (deste "relatório")


domingo, janeiro 07, 2018

Don’t let the bed bugs bite

Ou....Brazilino e a infestação de “bed bugs”

Esses pestilentos deixam você irritado!



Texto: Tobias Cardoso

Brazilino chegou todo contente em casa. Tinha encontrado um colchão twin quase novinho na calçada em frente ao apê no condomínio onde mora, na Military Trail em Pompano Beach, Flórida.

Agora sim, poderia dormir confortável, pois seu colchão de solteiro era meio pequeno e apertado. Resolveu fazer o mesmo; colocou-o do lado de fora do condomínio, para que alguém o levasse. Uma atitude cordial, afinal a troca é digna na América. Não sem antes perguntar aos roomates se algum deles estaria interessado em sua “relíquia”. Ninguém quis.

Coloque um aviso como este, caso queira jogar fora sua cama infestada!
Arrumou o novo canto, agora com um aspecto mais de acordo com o seu perfil, pois sempre se sentiu merecedor de um bom descanso, numa cama escolhida, ia até poder sonhar com poemas de Manuel Bandeira: “terei a mulher que quero, na cama que escolherei”.

Brazilino, um valente peão brazuc’americano, ex-caixa de supermercado em Minas Gerais, aprendiz de poeta nas noites enluaradas de Conselheiro Pena, acorda todo dia como se fosse o último, sempre pensando na proximidade temporal da realização de um desejo e de um sonho. Com a passagem do tempo e vendo alguns sonhos ficando pelo caminho, aprendeu diversas lições: como os poemas, os sonhos não envelhecem. Mas enfiar a mão na jaca aqui na “sonhada” América, é pra leão.

Por isso, se levanta animado e vai trabalhar em dois, três empregos. Em Miami, coloca “tile” em banheiro. Em Boca Raton, pinta casa. Em Coral Springs, ajuda na parte externa da obra. E de $12 em $12, as vezes de $15 em $15 (já teve trabalho de pagar $25), vai vivendo a sua vidinha impressa em dólares. Tem gente que conta com a sua remessa no Brasil, por isso toda quinzena envia o valor necessário para manter a casinha com mulher e 2 filhos. E se orgulha, assim,  de ser mais um Conselheiropenense ausente.

Mas, tem sempre um tempinho pra passar na padaria, conversar com alguns conterrâneos de Minas, saber das novidades, assistir ao telejornal.

Ele chegou em casa depois de mais aquele dia de trabalho, tomou um banho e foi deitar na sua nova cama, pretendendo sonhar com poemas, com os campos de Conselheiro Pena e a sua mulherzinha, que deixara pra trás “por um tempo”, pra fazer um pé de meia aqui e depois retornar.  "Mas já faiz treizano", pensou.

A cama estava aconchegante e arrumadinha. Deitou, pensou um pouco mais, trouxe problemas da mente para a consciência, analisou-os, fez uma reza que aprendeu com Tia Rosa, tranquilizou-se e dormiu. Dormiu profundamente por…umas três horas. De repente, levantou-se e começou a se coçar. A pele ficou logo vermelha e irritada com a coceira. Não sabia do que se tratava e logo culpou a tinta usada na pintura da casa de Boca. Seu colega de quarto logo também se levantou com os ruídos e acendeu a luz. O que foi daqui, o que foi dali, o amigo resolveu acender a lanterna do celular e um facho de luz iluminou o lençol do Brazilino, todo cheio de “percevejos” ou como chamam na América.... bed-bugs.

Assim ficou Brasiliano, todo marcado de bed bugs
(Os “percevejos” são minúsculas criaturas sem asas que, quando estão sempre de barriga vazia, têm o corpo achatado e fino, parecido mesmo com uma folha de papel. Mas depois que eles sugam o sangue de suas vítimas, eles ganham um tom vermelho escuro e se expandem. Uma só fêmea produz algo em torno de 200 a 400 ovos durante o seu um ano de vida, dependendo da disponibilidade de alimentação e ainda da temperatura. Os ovos são depositados em pequenas fendas e trincas. Eles são do tamanho de uma cabeça de alfinete e em apenas dez dias já estão liberando novos percevejos para a vida).

A coceira não parava e os dois não sabiam o que fazer. Afinal que exército de inseto é esse que aparece assim do nada e infesta uma cama. Inspecionaram o colchão, a armação da cama e descobriram diversos insetos escondidos.

Logo se lembraram; Brazilino tinha achado a cama na rua! E estava infestada de “bed bugs” que ninguém tinha visto.

(Os “percevejos” podem sobreviver até seis meses sem comer nada e quando encontram nova fonte de alimentação mostram-se bem flexíveis. Eles se alimentam de preferência de sangue humano, mas não descartam o sangue de nenhum outro mamífero, nem o sangue dos pássaros. De hábitos noturnos, os percevejos picam toda e qualquer região do corpo, apesar de terem preferência pelo rosto, pescoço, peito, braços e mãos. A picada destes insetos não transmite doenças, mas algumas pessoas podem sofrer uma reação alérgica localizada.Você normalmente não verá nenhum sinal deles, além das picadas de cor avermelhada. As infestações são difíceis de eliminar e exigem dedicação.

Tenha cautela extrema ao comprar roupas e móveis usados e ainda ao pegar objetos deixados na calçada como doação. Se um colchão tiver sido deixado na rua, é bem possível que esteja contaminado).

Senão, você também será mais um caso de ... Azar ou Incompetência?


“The Brazilian Courier”, Utilidade mais que pública que publica a verdade.




sábado, janeiro 06, 2018

O que custa uma bombada fora do lar....

Ou....
Sempre que uma pessoa procura um prazer a curto prazo, vai ter um sofrimento a longo prazo


Texto: Tobias Cardoso

Você vive há mais de 25 anos integralmente para uma comunidade religiosa. É seu Pastor, conselheiro, amigo e participante de todos os movimentos em prol do bem comum.  Promove sua Congregação e todos os programas filantrópicos da qual participa. No seu sermão de Domingo, o conteúdo da doutrina é cheio de mensagens de Louvor ao Senhor e a Êle você se dirige com humildade, clareza e percepção durante as suas orações, sempre pedindo o melhor pela grande família que o cerca neste projeto.

Dentro de seu plano original de ajudar a todas as pessoas que o procuram, recentemente você se vê envolvido numa trama novelesca, que de fato não deve estar caindo bem para a sua congregação e para todo um trabalho semeado ao longo de mais de um quarto de século.

Uma situação delicada, da qual as pessoas conseguem tirar muito “proveito” para escandalizar com o próximo e ao próximo. Dezenas atiram pedras em você, embora na Congregação muitos lhe abraçam, sentidos com o acontecido e com a própria angústia da situação medíocre na qual se encontra, por ter cometido o “pecado” do adultério.

Aproveita-se da fragilidade de uma fiel, enquanto o próprio marido se encontra no Hospital, ela “fiel” ao desejo de ser amada pelo próprio pastor, deixa-se amar e ama em sua própria cama, afinal quem não vê olhos não vê coração – só os órgãos genitais!

O que ninguém espera acontece, e agora como se fosse uma câmera de celular indiscreta filmando, analisemos. A faxineira chega no dia em que não é o dela ir faxinar, simplesmente não avisa a patroa. Ou, o telefone da patroa está no silencioso enquanto troca beijos e sussurros com seu amor. 

A faxineira, também fiel, abre a porta do quarto e encontra lá dentro você pastor e sua amada. Todos da mesma igreja. E agora? Como explicar? O que fazer? Como fazer?

Brazilino acaba de entrar na conversa e afirma: “Se é comigo, eu suborno a fiel!”

Mas não é com Brazilino, que dessa vez assiste de camarote, ele que já foi alvo de perseguição nos anos 90 por diversos maridos traídos e chegou até a levar um tiro no abdomem, não, dessa vez não é com ele, que foi conhecido usuário de cannabis sativa, teve três amantes ao mesmo tempo. Só aprontava. Merecia as pedras que jogaram nele!

Mas você, tão “limpo”, tão seguro com a sua família, sua esposa quando aparece nas fotos é tão linda e sorridente, seus filhos se formam no College, você é um exemplo de castidade, não? Você não merece as pedras que jogam em você!

Mas, peraí. Como é que é mesmo? Você prega o “Não desejar a mulher do próximo” e vai pra cama com uma fiel? Eu entendo. Aliás, faria o mesmo se tivesse a oportunidade que você teve de passar tantas fieis na ponta de sua espada. Bom, é o que agora a igreja toda comenta.  Expurgado da Igreja e do Estado só porque deu umas bimbadinhas fora do seio familiar!



Azar ou Incompetência?

sábado, dezembro 09, 2017


Rede Anti-Social



“Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão”. 

Esta é uma frase de Nelson Rodrigues que me acompanha desde o ano de 1965. Nascia a recessão. Os militares tomavam conta do Brasil. E eu, começando a vida de assistente duplo em cinema, de produção e de direção.

De produção, de duas feras da época, Roberto Baker e Chris Rodrigues, que devem estar como almas felizes passeando em galáxias desconhecidas, das mais de 200 milhões existentes no Universo, que toda hora me fazem lembrar que somos todos nitratos de pó de M e deixamos que a mídia, a babaquice generalizada da política mundial e do capitalismo desenfreado nos proibam viver o presente.

De direção, de João Bethencourt (também no céu), que tinha sido o maestro teatral da montagem episódica de Os Pais Abstratos, de Pedro Bloch, no Teatro Princesa Isabel (Leme, RJ) recém inaugurado no qual eu era o Faz-Tudo, o Saca-Trapo, em inglês é chique “Runner”, “Office Boy’. O teatro era de Orlando Miranda, Pedro Veiga e Pernambuco de Oliveira. Este último me ensinou muitos truques teatrais que até hoje utilizo em montagens emblemáticas. Como alguns “millenials” vão ler isso, a sugestão de procurar esses nomes no Tio Google é necessária.

O conteúdo do filme? Nelson Rodrigues e suas obras. Eu, 17 anos, sendo assistente de todas essas feras e tendo a tarefa de chegar cedo na casa de seu Nelson em Laranjeiras e avisá-lo para se preparar para as filmagens, antes da equipe chegar. E “tinha” que escutar pérolas de sua coleção, como “O Oto Lara Resende diz que o mineiro só é solidário no câncer”.

Caraca, estávamos em 1965. Aquele “câncer” exclamado pelo escritor, teatrólogo, jornalista que eu tanto tinha aprendido a admirar soou horrível, câncer era uma palavra proibida, uma doença sem cura, um mal terminal. E dava medo. Até hoje, mais de meio século depois, nos apavora e mata.

Porém, a frase abaixo me deixou mais cabreiro e a qual me fez pensar – sim, o Brazilino pensa e logo, existe –

“Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo”.

Frases de Nelson Rodrigues, minha gente, não são do Brazilino. E fui pra casa pensar.

Podem não ser pederastas, lésbicas ou ladrões. Podem ter ideias mágicas na cabeça. Algum dia, podem virar milionários. Por sorte. Ou lançarão uma start-up vencedora? Estou falando dos “millenials”. Você tem um em casa?

Pois, parafreseando Nelson: “Os Millenials só são solidários na Maria Juana”. Dêem pra eles alguma tarefa. Vão te enganar, fazer pela metade, ficar com preguiça de continuar. “I’m tired”! Como são poderosos... No laptop e no smartphone....ah e no baseado!

Esses jovens cresceram (do Wikipedia) “num mundo digital e estão, desde sempre, familiarizados com dispositivos móveis e comunicação em tempo real. Como tal, são um tipo de consumidores exigentes, informados e com peso na tomada de decisões de compra. São a primeira geração verdadeiramente globalizada, cresceram com a tecnologia e usam-na desde a primeira infância. A Internet é, para eles, uma necessidade essencial e, com base no seu acesso facilitado, desenvolveram uma grande capacidade em estabelecer e manter relações pessoais próximas, ainda que à distância. A tecnologia e os dispositivos móveis (tablets e smarphones) em particular, criaram condições para os Millennials ligarem-se e comunicarem entre si como nenhuma outra geração o tinha feito anteriormente, permitindo partilhar experiências, trocar impressões, comparar, aconselhar, criar e divulgar conteúdos, que são o fundamento das redes sociais. Os Millennials têm a expectativa de ter informação e entretenimento disponíveis em qualquer lugar e em qualquer hora.

Eles têm que sentir que controlam o ambiente em que estão inseridos, têm que obter informação de forma fácil e rápida e têm que estar aptos a ter vidas menos estruturadas”.

Ferrou! Os Baby-Boomers não conseguem se comunicar com os Millenials, tal a distância do “telephone Graham Bell” de parede com manivela até ao smartphone. Boomers são pais e avós dos millenials e como tal, desrespeitados. Estamos “passados” e “velhos”. 

Tudo isso me fez lembrar Nelson Rodrigues. Mas, terá mesmo o passado “razão”? Ou devemos todos os boomers pendurar nossas chuteiras e observar o que essa galera vai fazer com o planeta Terra?

Ou ainda….como sabemos que não somos nada no Universo, deixar prá lá e “ir viver a vida que nos resta, respirando o presente e deixando nas mãos – e laptops -  deles?”.

Porque, amigos, a tecnologia é maldosa, assim como as TVs abertas. Nos desliga no momento do religare. Religare com a religião, ou uma crença,  uma filosofia, "religare" com a família, com o pensamento,  a amizade, gratidão, conversa, consistência, perdão e benevolência. Falta tudo isso aos Millenials? Ou não precisarão (nada disso) no decorrer deste século? 


Phydias Barbosa

  O Espelho e o Vento A luz do entardecer entrava pela varanda, mas Raul preferia a luz fria do banheiro. Ali, diante do espelho, ele ensaia...